Poemas

Avenida Brasil

As estrelas não brilham no céu da cidade
Porque o asfalto não é azul!...

Avenida Brasil!
Um bisturi verde-e-amarelo
Rasgando os seios da cidade
Onde a manhã metálica
Se descortina aos nossos olhos

Avenida Brasil.
O azáfama interurbano
Na têmpera do dia-a-dia

Avenida Brasil:
Uma procissão forjada em aço
Em louvor a escravidão
Ou uma sinfonia de buzinas
Ou um desfile de carnaval

Avenida Brasil.
É o Brasil na avenida,
              Nas chaminés das fábricas
A fumaça
O cano-de-descarga
A massa operária
O Brasil expelido no ar
Avenida Brasil...
É mais Brasil que avenida

Alguma coisa louca
                Que sobe e desce
      que entra e sai
que vai e volta
Alguma coisa sem rumo

Postes de luz em movimento
O azul e o céu em movimento
Placas de sinalização passando aceleradas
E o atropelamento das fábricas...


Avenida Brasil,
O Brasil zunindo em nossos ouvidos
Como as sirenes das ambulâncias
O corpo de bombeiros
                           A polícia...

Avenida Brasil
É mais uivo que Brasil

Uma penumbra de gemidos
A noite ofegante dos motéis
O amor-horário
                    De telefones e campanhias
Avenida Brasil é um Brasil em alta rotatividade.

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