Mestres

Pablo Neruda

VINTE POEMAS DE AMOR E UMA CANÇÃO DESESPERADA IV

Te  recordo como eras no último outono.
Eras a boina gris e o coração em calma.
Em teus olhos pelejavam as chamas do crepúsculo.
E as folhas caiam na água de tua alma.

Apegada a meus braços como uma trepadeira,
as folhas recolhiam tua voz lenta e em calma.
Fogueira de espanto em que minha sede ardia.
Doce jacinto azul torcido sobre minha alma.

Sinto viajar teus olhos e é distante o outono:
boina gris, voz de pássaro e coração de casa
para onde emigravam meus profundos desejos
e caiam meus beijos alegres como brasas.

Céu (visto)de um navio. Campo (visto) dos montes.
Tua recordação é de luz, de fumaça, de lago em calma!
Mais além de teus olhos ardiam os crepúsculos.
Folhas secas de outono giravam em tua alma.

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