Mestres

Maiakovsk

FÉ, ESPERANÇA E AMOR

O AMOR

      Um dia, quem sabe,
      ela, que também gostava de bichos,
      apareça
              numa alameda do zoo,
      sorridente,
           tal como agora está
               no retrato sobre a mesa,.
      Ela é tão bela,
             que, por certo, hão de ressuscitá-la.
      Vosso Trigésimo Século
      ultrapassará  o exame
      de mil nadas,
        que dilaceravam o coração.
      Então,
             de todo amor não terminado
      seremos pagos
            em enumeráveis noites de estrelas.
      Ressuscita-me,
           nem que seja só porque te esperava
                como um poeta,
      repelindo o absurdo quotidiano!
      Ressuscita-me,
           nem que seja só por isso!
      Ressuscita-me!
          Quero viver até o fim o que me cabe!
      Para que o amor não seja mais escravo
      de casamentos,
            concupiscência,
              salários.
      Para que, maldizendo os leitos,
         saltando dos coxins,
      o amor se vá pelo universo inteiro.
      Para que o dia,
          que o sofrimento degrada,
      não vos seja chorado, mendigado.

      E que, ao primeiro apelo:
              - Camaradas!
      Atenta se volte a terra inteira.
      Para viver
            livre dos nichos das casa.
      Para que
           doravante
         a família
             seja
      o pai,
            pelo menos o Universo;
      a mãe,
            pelo menos a Terra

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