Crítica

Querida Ana Clara

Querida Ana Clara:


Não tenho a pretensão de avaliar nem de te aconselhar em relação ao seu texto. Até por não me considerar a pessoa mais apropriada para esta tarefa.


Durante muitos anos me dediquei à poesia, e pouco é o meu conhecimento sobre romance, contos, novelas e etc., o que faz da minha opinião uma coisa quase intuitiva. Mas sabemos que até um leigo pode reconhecer um bom texto, e que toda opinião é valida no que se refere à criação artística.


Gostei muito do seu trabalho, e fiquei bastante impressionado com a atmosfera criada, a linguagem, a personagem, enfim: tudo a meu ver muito bem feito, bem construído e com um trato impecável com a língua portuguesa. Foi muito bom ter lido o seu conto.


Entendo que a função da literatura como a de qualquer arte é comover o leitor e levá-lo à reflexão, e seu conto alcança este objetivo. A história em si não nos remete a um fato de grande relevância, chegando até, em certos momentos a beirar a inverossimilhança, mas considero isso um ponto positivo a partir do momento que seu texto consegue ter qualidade, mesmo dispensando este componente; ou seja, ele mostra que seu valor maior esta justamente no lugar onde é mais importante que ele esteja: na linguagem. A história, o tema pode variar de um trabalho para o outro, mas a linguagem é uma coisa muito difícil de ser mudada, daí a importância que a ela se outorga.


Eu não sei se você deseja ser uma escritora, pois escrever contos ou romances não faz de ninguém um escritor, assim como escrever poesia não faz de ninguém um poeta. O que faz de alguém um artista? Eu não sei, mas com certeza é necessário que o indivíduo queira ser um escritor e tenha compromisso com este objetivo e com as responsabilidades inerentes a esta tarefa de tantas conseqüências, pois mais importante que a qualidade do que se escreve é a postura com que nos colocamos diante da arte. Devemos sempre buscar o aprimoramento. Considero um suicídio para qualquer escritor se considerar “bom”. Devemos ter a consciência de que fazer um bom texto é uma coisa que deve ser perseguida sempre. Devemos ler os nossos mestres como Edgar Alan Poe, Kafka, Jean Paul Sartre, Homero, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Jose Saramago, Antonio Torres e etc. etc. etc.


E quando você achar que esta fazendo um bom trabalho, abra um desses livros e pense: “Eu preciso melhorar”, ou então “Por que não fui eu que escrevi isto?” ou ainda “É assim que eu preciso escrever”. Devemos esquecer os escritores medianos ou ruins embora sejam os mais populares. Mesmo que você não consiga escrever tão bem quanto um dos detentores do premio Nobel, é a tentativa que vai fazer de você um grande escritor.


No mais você está de parabéns e continue escrevendo.


Felicidades


Jose Terra.

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