Crítica

Considerações proferidas pelo Acadêmico Jose Terra a respeito da AGLAC por ocasiao de seu trigésimo segundo aniversário

ACADEMIA GONÇALENSE DE LETRAS


ARTES E CIÊNCIAS


AGLAC


 


CONSIDERAÇÕES PROFERIDAS PELO ACADÊMICO


JOSE TERRA


A RESPEITO DA AGLAC


POR OCASIAO DE SEU


TRIGÉSIMO SEGUNDO ANIVERSÁRIO


 




Exmo. Sr. Pres. Dr Roberto Celio de Araújo Batista,
Confrades, componentes ilustres da mesa.
Distintos amigos e convidados.


No dia 21 de Setembro de 1974, investidos de pioneirismo dedicação à cultura e inquestionável amor ao município de São Gonçalo, célebres expoentes deste nosso amado município fundaram a Academia Gonçalense de Letras Artes e Ciências a AGLAC.


Compuseram a sua primeira diretoria os seguintes acadêmicos fundadores:


Oton São Paio: presidente
Humberto Soeiro de carvalho: 1° vice-presidente
Julio César Vanni: 2° vice-presidente
Jorge Uchoa Mendonça: Secretário Geral
Maria de Lourdes Valentim Meira MARIOMAR 1ª secretária
Helter Jerônimo Barcelos: 2° secretário
Ainda Faria: 1ª tesoureira
Francisco Oswaldo Magliano: 2° tesoureiro
Fernando Barbirato: diretor cultural
César Mattos: Diretor de divulgação
Alberto Araújo: diretor social
*Sirlei Costa de Oliveira: Bibliotecário
Matathias Bussinger, Emilio Carmo e Maria Gloria Valente: Conselheiros Fiscais.


Foram também fundadores:


Mauro Costa, Everaldo Bezerra Botelho, Zeir Porto, Marlene Salgado, Aloysio Manna, Antônio Costa Maia, Paluma Filho, Irídio Silva, Maria Domicia dos Santos, Celso Cerqueira Dias, Augusto Frederico Bittencourt, Sebastião Failace, Estenio Cantarino Cardoso, Raimundo Padillha, Sinésio de Aquino, Antônio de Almeida Moraes Jr., e Lyad de Almeida.


 


Considero de extrema importância que fosse citado o nome de todos.


Mesmo porque se hoje fosse-nos possível avaliar o grau de contribuição de cada um deles teríamos nós e a história ainda assim uma dívida para com todos aqueles que sonharam e fizeram da AGLAC uma realidade.


Com o objetivo de reunir poetas, escritores, artistas plásticos, atores, músicos, cientistas, jornalistas, professores e por fim todos que fossem comprometidos com a evolução do pensamento e as aspirações da inteligência humana.


Remonta à época de Platão, aproximadamente três séculos antes de Cristo, o termo Academia, que nos nossos dias assume conotações diversas.


No local em que o filósofo reunia os intelectuais e estudiosos de sua época havia um jardim que pertencia ao herói grego Academus dando assim origem ao vocábulo como hoje conhecemos.


Tendo como objetivo reunir matemáticos, astrônomos, poetas, filósofos e estudantes, este trabalho ensejou a criação de diversas academias na própria Grécia e futuramente na idade média


Mas a primeira academia instituída oficialmente se deu em Florença na Itália Renascentista fundada na metade do século XV.


E no ano de 1635 foi fundada a mais conhecida das academias, a Academia Francesa em cujos moldes foi criada a academia Brasileira de Letras.


*Sua fundação se deu a partir do empenho do Cardeal Richelieu que obteve do rei Luís XIII a autorização para seu funcionamento com a missão de proteger a Língua francesa e criar dicionários de maneira a contemplar todas as artes em geral.


Daí surgiram as academias de ciências, belas artes e ciências morais e políticas.


No Brasil, precisamente em 20 de Julho de 1827 fundou-se a Academia Brasileira de Letras com a finalidade principal de proteger a Língua Portuguesa e a sua literatura. Sendo uma iniciativa de Lúcio Mendonça, foi organizada por Machado de Assis seu primeiro presidente . Também participaram de sua fundação Joaquim Nabuco, Visconde de Taunay, Olavo Bilac, Artur Azevedo, Jose Veríssimo, Coelho Neto, Graça Aranha entre outros célebres nomes da nossa cultura.


Assim chegamos à AGLAC, em 1974, à nossa Academia Gonçalense de Letras Artes e Ciências. Que tem se destacado no cenário cultural de São Gonçalo tornando-se uma das mais respeitadas instituições que conhecemos atualmente.


Por inspiração do acadêmico Oton São Paio, tido por muitos como “eterno presidente” veio ao longo dos anos cumprindo sua tarefa de congregar pessoas de diferentes setores do conhecimento e da cultura, mantendo relações com instituições congêneres promovendo publicações, concursos, e divulgando a produção cultural do nosso município.


Foi considerada uma instituição de Utilidade Pública Municipal pela lei n°nove de 11 de maio de 1977 e de Utilidade Publica Estadual pela lei 1474 de 26 de maio de 1989 .


Em seus 32 anos de existência vem sendo conduzida com imensurável determinação, esforço e abnegação por notáveis representantes da cultura em nosso município. Seus presidentes foram: Oton São Paio, Jorge Uchoa, Alberto Araújo, Marlene Salgado, Salvador Mata e Silva, Zeir de Souza Porto, Everaldo Botelho Bezerra e Roberto Célio Baptista.


Entre suas principais atividades, alem de manter viva a cultura do nosso povo destacam-se as reuniões mensais, que se realizam às 3ªs quintas feiras de cada mês onde são tratados assuntos de cunho organizacional, apresentações artísticas, palestras, e divulgação de eventos e acontecimentos culturais.


A luta desta estupenda instituição em prol da cultura e de sua própria sobrevivência pautada na plena consciência de sua importância e utilidade, já teve como cenário, diversos locais ao longo de sua existência. Foram eles: a Câmara de Vereadores de São Gonçalo, o Fórum de São Gonçalo, a Igreja Batista de Neves, o Colégio D Elder Câmara, o escritório do acadêmico Renato Jardim Ribeiro, a secretaria Municipal de Educação e atualmente o Instituto Cultural Brasil Estados Unidos .


Inúmeras foram as realizações da AGLAC como exposições, posses solenes, apresentações musicais, centenas de conferências, edições de jornais, concursos de trovas, publicações de trabalhos de pesquisa e estudos realizados por acadêmicos, lançamento de livros, inauguração de bibliotecas, reuniões ordinárias, sendo muitas delas fora da sede da academia em escolas previamente programadas.


Hoje a AGLAC continua a sua missão confirmando sua importância no arcabouço cultural não só da nossa cidade, contribuindo para formação de sua identidade estabelecendo seu orgulho e independência como também de todos os lugares onde esteja presente um acadêmico ou alguém que já tenha tido o privilégio de desfrutar de tão seleto convívio.


Conduzida pelo atual presidente Dr. Roberto Célio Batista, que não mede esforços na sua nobre tarefa, a AGLAC tem na sua atual diretoria;


Zeir de Souza porto – vice-presidente
Deciléia de Andrade Corrêa – secretária geral
Jose Terra – Tesoureiro este que vos fala.
Carmem Brasil, Helter Jerônimo Barcelos, Rujany Martins constituindo o conselho fiscal
Gersom Praça, Marina de Oliveira Dias, Edson Oliveira dos Santos


Assim como é motivo de orgulho para o nosso povo, para os nossos governantes e acadêmicos a existência deste sodalício, é também motivo de orgulho para a AGLAC o brilhante desempenho de diversos de seus membros.


Participamos recentemente do lançamento de três livros de autoria do acadêmico Salvador Mata e Silva num só evento: “Igrejas e Capelas Católicas de Niterói”; “São Vicente de Paulo, o pai da caridade” e “São Lourenço- onde nasceu Niterói”.


Grande historiador cobriu-nos de orgulho com este fato tão raro pelo que sabemos.


Presenciamos também a atuação do acadêmico e grande homem de letras Rubens Dias dos Santos, que emprestou por diversos anos o seu talento e a sua inteligência ao governo do nosso município à frente da superintendência de letras da fundação de artes de São Gonçalo, criando o selo SÃO GONÇALO LETRAS através do qual foram publicados diversos trabalhos de autores gonçalenses inclusive publicações da própria AGLAC. Sabemos que não andam de mãos dadas à política e a cultura como sabemos que não se é possível servir a dois senhores. Ainda assim o professor, poeta, ensaísta, escritor e editor Rubens Dias dos Santos manteve seu trabalho incólume a pesar de mudanças de governo onde sabemos que interesses diversos relegam a cultura a segundo plano. Hoje, não pertencendo aos quadros da referida fundação, é Autor de diversos livros entre os quais destaco o seguinte poema:


 


“TRANSFIGURAÇÃO

Faço-me e meu verso!
De mãos sujas
Do que toco e toca-me
Do que escondo
Para achar-me.

      Faço-me e meu verso!
      Nas palavras escondidas
      Proibidas...
      Das cabeças perdidas
      Em ambições.

Faço-me e meu verso!
Na fumaça que contamina
E escraviza
Transformando-me vil...
E também o metal.

     Faço-me e meu verso!
     Na falta de r ecursos
     Abusadamente absurdos
     De nossa gente
     Que compra seu mísero dia-a-dia
     Com pedaços de vida mal vivida.

Faço-me e meu verso!
Na tristeza e angústia
De um dia perdido
Na procura do viver.
Na alegria abafada
De uma relação acabada.

     Faço-me e meu verso!
     Nas voltas sem idas
     Cheias de não.
     Na revolta da volta.
     No vazio sofrido
     Que transborda solidão.

Faço-me e meu verso!
Na culpa escondida
E disfarçada
Em meio sorriso,

           Enfim !...

Faço-me e meu verso
Do que escrevo sem endereço

     E vejo...
     E sinto...

Consciente
Impertinente
A consciência que sou!”


Outro grande motivo de orgulho para esta gloriosa instituição foi o trabalho do grande poeta Oton São Paio, entre inúmeras atividades em que se destacou, como a política, pedagogia, administração de empresas, devemos reconhecer o grande nível ao qual a poesia foi elevada através da sua contribuição obstinada.


O homem é aquilo que ele sonha, escreveu Oton São Paio e na realização de um sonho seu foi feito pela primeira vez um recital de poesia na casa de espetáculos denominada CANECÃO.


A poesia agradece por este e outros inúmeros empreendimentos, como a gravação de compact disc.Com poemas.


O espaço dedicado à poesia em seu programa de televisão, intitulado São Gonçalo na TV, onde foi dada oportunidade a diversos artistas de apresentarem seu trabalho, fato que infelizmente não se vê em nenhuma outra emissora de televisão ou programa deste pais. Sem duvidas a poesia foi tratada com respeito.


Escreveu Oton São Paio o poema:


“DESENCONTRO



Enquanto ela vai de água salgada
Eu vou de água doce
E é como se fosse
Uma tempestade brava
O vento gemendo
Zangando raivoso
Maltrata as árvores
Levantando o amor
Num redemoinho
Fazendo-o subir
Pra longe cair.
Será que ele cai?

Enquanto ela vai de água fria
Eu vou de água morna
É o orgasmo interrompido
Criado e irremediável
Prova de amor envergonhado
Fazendo dele cata-vento
Girando pontos cardeais

Enquanto ela vai de água de mar
Eu vou de piscina
E assim ficamos a margem da cantiga
Há muito não ouvida
Nos campos, nos vales, nos ares
E talvez jamais cantada
Nessa primavera sem engenheiro

Enquanto ela vai de briga
Eu vou de brisa
Saudades de beira em beira
E vamos sem rumo sem relva
No talvez de algum dia
Um encontro na roseira.”


 


Chegou neste mês às livrarias o mais completo livro sobre o município de São Gonçalo sua história, sua origem, seu desenvolvimento e suas peculiaridades.


Um livro que sem dúvida não pode deixar de ser lido por quem realmente queira conhecer a nossa história.


Neste momento, eu falo do orgulho que a AGLAC tem de seus membros, porque este livro cujo título é MUNICÍPIO DE SÃO GONÇALO E SUA HISTÓRIA é fruto do trabalho incansável da acadêmica Maria Nelma Carvalho Braga, que soma a este, diversos trabalhos já publicados e do mesmo indiscutível quilate. A história de São Gonçalo tem uma guardiã e a AGLAC o orgulho te tê-la em seu quadro.


Freqüentemente aprendo também desfrutando do convívio de Marina de Oliveira Dias.


Sua energia e sabedoria é sempre para todos um impulso a nos levar adiante.


Com uma gigantesca quantidade de serviços prestados a educação e as letras faz com que eu dedique a ela neste momento um dos poemas escritos na minha adolescência.


“UM RAIO DE LUZ

Na mão o giz, no corpo o cansaço:
Quem diz que aquelas palavras custaram tanto?
Da sociedade o não reconhecimento:
Quem diz que foi o simples prazer
Que enxugou o suor donde brotaram as palavras
Ouvidas em sala de aula?
No ar, a simplicidade.
Quem diz que a vocação se fez em tantos despojos?
No senso, a responsabilidade:
Quem diz que é tão necessário “dar essa aula”

Quem diz é Maria Helena, a professorinha de Letras,
Onde se encarna a figura transparente daquele missionário
Que veio de tão longe, atravessando as intempéries rodoviárias
Com sua bolsa de provisões literário-educacionais
Para pregar o sonho.

E haveria de se ter alguém  para ensinar
Essa arte, que é a expressão maior do ser humano.
A poesia haveria de ter um porta-voz,
E as conturbadas equações matemáticas
Haveriam de ceder  seu espaço obscuros
Para que fosse bordado de cor azul-clara
Pelas vozes sempre doces que emergem da nossa cultura.

E o valor dessa tarefa, que foi negado por todos,
Maculado pelos falsos profetas
E esquecido, talvez por conveniência, não se encontra desfeito;
Porque pela porta (dessa vez aberta) vem entrando, com passos apressados
E olhar de quem procura o espaço que agora é seu,
Aquela mesma figura, que em meta linguagem
Fala do que é vida do que é liberdade,
Como uma atriz de um palco seco e uma platéia iludida ou desiludida.
Aquela mesma figura fazendo papel de sol,
Mas sol de manhã ainda com poucos raios,
Apesar da intensidade,
Na espera de que clareie o dia.”


Por último, lembro a todos a importância de um dos nossos principais mestres,


Helter Jerônimo Barcelos cuja apresentação de suas realizações, por serem de uma quantidade enorme consumiria horas se não fosse desnecessária.


Digo desnecessária, por ser de conhecimento de todos, tais realizações.


Secretario de Educação, Diretor de faculdades, Poeta, de indiscutível brilhantismo, empresário de sucesso, tornou-se um dos maiores incentivadores da arte de que temos conhecimento, patrocinando e apoiando culturalmente, às suas próprias expensas, publicações de livros, exposições, shows musicais, jornais, alem do que possa não ter chegado ao nosso conhecimento.


Apresento-vos o poema de sua autoria intitulado:


“RETORNO

Revisito a Chumbada da infância:
cores, cheiros, ruídos, paisagens, gentes.

Relincho da potranca Delicada
corta o espaço como um longo som de trombeta
misturado com o bééé das cabras leiteiras de pelo macio e bom.
Do passado brota
como fonte de água cristalina
a gargalhada musical da negra Marciana


Nas noites, o batuque dos centros de macumba
enche as imaginações infantis
de caboclos, negos-velho, vovós
e eróticas pombas-gira.
Pombas implumes,
conchas esvoaçantes
na sexualidade nascente

forte, incontrolável,
movida a muito hormônio,
do menino tropical.
Os sonhos de povoam
de coxas morenas
enfeitadas por delicada penugem
que se adensa no púbis,
céu a cobrir
a caverna do desejo


A chuva na tarde
colore de verde a paisagem do vale
e amadurece no pé
a goiaba branca,
grande como uma pêra,
colhida da janela do minúsculo quarto.
Sinto na boca
o doce.
O ar se esconde em véus aquosos.


Há um convite a introspecção pairando no espaço.
Homens e natureza se penetram em si mesmos.
Mergulho nostálgico,
busca de tempos idos,
vividos em outras dimensões,
surpreendidos nos farrapos
da percepção inconsciente.


Há lua no pomar dos alemães.
A luz leitosa e delicada
se une ao perfume das flores de laranjeira.
Uma fuga de Bach emoldura
a lembrança inesquecível
e enche o espaço das gentes
de uma inimaginável mensagem
de frias e distintas terras.


A manhã quente de dezembro
colore de flores as cercas de bambu trançado.
Os melões de São Caetano exibem,
despudorados,
as vulvas vermelhas
e enchem o ar do perfume do seu cio vegetal.
Que bom lamber, com língua aguçada pelo sentido,
os pequenos bagos de açúcar!


Nos sábados,
os valentes se encontram em torno do balcão da vendinha do largo.
No início, ainda sóbrios,
as conversas giram em torno da inexorável rotina.
Com o passar da horas
a cachaça encharca os cérebros
e extravasa o bugre guerreiro que está dentro de cada um.
Primeiro a discussão,
o palavrão.
Depois o pescoção,
o soco que arranca sangue de arrebentadas narinas.
O rabo de arraia que levita o desafeto.
A cabeçada na boca do estomago.


O estrago feito na carcaça do vizinho.
A facada que fere fundo
e produz a fenda por onde se esvai a vida...
O tiro
a bala voadora,
chumbo,
Chumbada,

Chumbada do raiar de minha vida.”


Não considero possível nem de bom senso neste exíguo tempo que nos resta falar de todos os acadêmicos. São inúmeros os feitos as realizações e se me desculpo à grande maioria que não foi citada, me desculpo também com aqueles de que ousei falar, por saber que muito mais deveria ser dito, e da injustiça de sintetizar valores tão sublimes em tão poucas palavras.


Mas foi importante, justificar e deixar claro um dos motivos do nosso contentamento. Que é essa riqueza humana da qual é detentora a nossa academia.


Por isso estamos aqui hoje comemorando com o peito repleto de jubilo e orgulho o pensamento repleto de certeza e a consciência plena de tranqüilidade.


Pois sabemos que os homens passam e são substituíveis mas, sabemos também que acima de nós estão os nossos ideais os nossos sonhos e as nossas esperanças.


Portanto acima de nós, está a AGLAC, acima de nossos caprichos, sentimentos menores e dificuldades.


Que por muitos e muitos anos sobreviva a AGLAC sendo motivo para nossa inspiração.


E que ao lado do outras grandes instituições possa alicerçar e proteger nosso idioma e a cultura de nossa pátria.


Parabéns AGLAC.


Vida eterna para AGLAC.


Uma chave de palmas para AGLAC.


 


Jose Terra


21de Setembro de 2006


 

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